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Published 23 de abril de 2019

A discussão é bem antiga e nem sei se vai terminar um dia. Há 6 anos já falava disso e sempre que acontece alguma tragédia o assunto volta à tona de novo.

Existem inúmeros estudos de diversas entidades e universidades que afirmam que não existe nenhuma evidência sugerindo que jogar videogames podem levar à comportamentos agressivos.

Alguns estudos colocam jogos violentos como um fator de risco para pessoas que já possuem problemas cognitivos e comportamentos alterados. Mas nenhum deles consegue afirmar categoricamente que jogar videogame é causa para um comportamento violento. Até onde eu consegui pesquisar pelo menos.

O British Medical Journal fez uma de uma pesquisa de 10 anos com mais de 11 mil crianças sobre o tema: jogos eletrônicos e a televisão podem determinar mudanças de comportamento nas crianças? A resposta é não. Pelo menos no caso dos jogos eletrônicos.

Depois de acompanhar crianças a partir dos 5 anos por uma década, a pesquisa afirma que jogar videogame não gera nenhum desvio de personalidade ou problemas de atenção. Ao contrário, e considerando outros estudos, os jogos podem ajudar a coordenação motora e visual, o fortalecimento da memória. Podem ainda ajudar crianças com dislexia a ler melhor.

Ainda nesta pesquisa, notaram que as crianças entre 5 e 7 anos que assistiram televisão por mais de 3 horas por dia tiveram uma ligeira alteração no comportamento.

Pesquisas continuam

Christopher Ferguson é um acadêmico que dedicou os últimos 15 anos estudando o tema. Ele afirma que não existe ligação alguma entre a violência do mundo real e a dos games.

Em um artigo recente e cheio de referências (recomendo a leitura), Christopher discute um “pânico moral”, onde as pessoas tendem a culpar os games por tragédias como a que ocorreu recentemente em Suzano. Segundo Ferguson, existem dois fatores para isso.

O primeiro é uma cruzada para tornar a Psicologia uma ciência, já que a disciplina é repleta de inúmeros estudos – importantes diga-se – mas que dificilmente conseguem ser replicados.

O segundo fator é uma necessidade de encontrar relações entre a violência e os games sem uma metodologia clara, aumentando ainda mais este pânico. Processos parecidos aconteceram anos atrás relacionando HQs e Rock com a vilolência entre os jovens.

Ainda no artigo ele comenta que, apesar destes estudos comportamentais, os dados mostram que existe uma relação entre a queda de crimes violentos e grandes lançamentos de games.

Exatamente.

O lançamento de um grande jogo de videogame provavelmente reduz crimes violentos por algumas semanas.

Enfim, não sou exatamente um acadêmico e duvido que este assunto tenha um fim antes da próxima década.

Mas enquanto isso, na minha humilde opinião de pai, a melhor maneira de evitar comportamento violento nos jovens é estar sempre perto deles quando estiverem jogando, assistindo, lendo… vivendo.

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