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O que é a gamificação?

Homem de negócios subindo em um foguete | O que é gamificação?

Gamificação é uma estretégia de engajamento que utiliza os elementos que tornam os jogos divertidos e interessantes, para despertar nossa motivação em situações do dia a dia. Seja no trabalho, na escola ou na rotina, a gamificação tem por objetivo potencializar o engajamento das pessoas em resolver problemas, desenvolver habilidades e mudar comportamentos.

Mas antes de explorarmos mais a gamificação, é importante você entender que jogar sempre fez parte da nossa vida. Até antes dela.

Na verdade, segundo Huizinga, jogar foi um mecanismo encontrado pelos mamíferos para se prepararem para obstáculos reais e sobreviverem. É fácil perceber isso quando vemos filhotes de lobos brincando de caçar, ou leões brigando de “mentirinha”.

Esse comportamento já está embutido em nosso cérebro, é instintivo, é químico. E exatamente por isso é tão poderoso.

Mas para aproveitar este instinto e entender o que é gamificação nas empresas, é preciso trazer tudo isso para o racional.

A gamificação tem muito mais a ver com engajamento e com as pessoas envolvidas do que com o próprio jogo. Utilizamos apenas elementos de game design considerando a motivação de cada uma das pessoas, estudando e entendendo seus hábitos.

As pessoas tem motivações diferentes

Quando perguntamos para 10 pessoas quais são suas motivações para trabalhar, as 10 irão responder “manter a família” ou “preciso pagar contas”. Motivações relacionadas ao dinheiro provavelmente.

Mas estas mesmas pessoas se comportam e agem de maneiras diferentes. E quando perguntamos quais são suas motivações na vida, de forma mais ampla, desta vez teremos respostas bem diferentes umas das outras.

Existem vários estudos que consideram hábitos e objetivos pessoais e os dividem em perfis de comportamento. No game design, o mais difundido é o do Richard Bartle que divide em 4 grandes grupos. Mas o mais importante é entender que as pessoas e equipes são diferentes umas das outras.

Ao entender os objetivos e o que motiva estas pessoas a persegui-los, podemos traçar um plano onde as metas destas pessoas se unam com os objetivos da própria empresa. Este é um ponto chave para o sucesso da gamificação.

Precisa haver uma participação voluntária

Quando a empresa “obriga” os colaboradores a participar de uma nova iniciativa (seja com gamificação ou não), o sentimento em relação a esta experiência passa a ser negativo. Algo como “estão me controlando” ou “mais uma coisa pra eu fazer“.

Mas se trabalho já tem um quê de obrigação, o que fazer então?

Um bom caminho é ir aos poucos. Pegamos uma única métrica importante na operação e damos (ou criamos se ela não existir) uma alternativa mais divertida, considerando o público e suas motivações. Aí acompanhamos os indicadores em relação ao desempenho e adesão e vamos ajustando até tudo fazer sentido. Não só para a empresa, mas também para as pessoas envolvidas.

Algumas vezes é possível apenas mudar a interface, sem interferir no dia a dia da operação.

Podemos por exemplo mostrar os resultados de uma equipe de vendas que já estão em algum sistema interno, de uma forma diferente. Assim introduzimos um elemento lúdico sem o peso da “obrigação” e preparamos as pessoas para uma participação voluntária em uma próxima fase.

Silhueta de uma pessoa com vários elementos de game em volta | O que é gamificação?

O que é gamificação nas empresas

Quando se utiliza essa abordagem, acabamos introduzindo – na maioria das vezes apenas transformamos – as atividades que fazem mais sentido, e que ficam mais divertidas do que eram antes.

O clima corporativo muda.

Não quero que você pense que o escritório se enche de unicórnios e arco íris, bem longe disso. Mas conseguimos com a gamificação tirar um pouco do peso da rotina no trabalho e mudamos a comunicação entre os colaboradores. Ao invés de ter que entregar o relatório para o gerente eles podem “aceitar a missão do comando secreto”.

Outro ponto é o feedback para o funcionário em uma avaliação de desempenho por exemplo.

Uma atividade que normalmente ocorre uma vez por ano pode passar a ser semanal ou diária, informando então o colaborador sobre erros e acertos muito mais rapidamente. Isto leva a uma curva de aprendizado bem mais rápida!

Falando nisso, outro aspecto que muda na cultura organizacional é justamente a forma como encaramos o erro. Normalmente ele é evitado e punido, mas quando usamos a gamificação, ele passa a ser um aliado. Ele vira um elemento de aprendizado planejado, e o mais importante, compartilhado depois entre os participantes. Isto promove a multiplicação da informação.

A gamificação funciona para a empresa?

Nada disso adianta se não tivermos como comprovar os resultados. Ainda temos poucos estudos aprofundados sobre o quanto a gamificação influencia os hábitos e a performance dos colaboradores. Mas já existem vários indicadores que indicam que estamos no caminho certo.

Air Canada mudou seu programa de fidelização para uma abordagem mais gamificada e obteve mais de 560% de ROI em 3 meses.

Sunlife montou uma plataforma de aprendizado onde os participantes evoluem seu conhecimento sobre planos de previdência e assim conseguiu um aumento de 29% na base de usuários.

Solvian resolveu transformar seu produto com a gamificação e então criou o Trade Rally (que tive o prazer de participar) e aumentou em mais de 40% sua aderência e ainda teve um efeito colateral de 22% de aumento nas vendas.

Então o que é a gamificação?

A gamificação funciona porque já somos programados para isso.

Mas várias iniciativas de gamificação acabam falhando porque não consideram as pessoas como foco principal. Simplesmente olham para o negócio e pensam que para subir faturamento, precisam de uma competição. E nem todas as pessoas gostam de competição (de 10 a 25% curtem pra ser mais didático).

Então a questão é tornar a experiência única para cada pessoa, considerando suas motivações, seus hábitos e seus objetivos. Quando alinhamos as expectativas pessoais de cada pessoa com o objetivo da estratégia como um todo, a possibilidade de aumentar o engajamento com a gamificação é quase certa.

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