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Published 11 de julho de 2020

São basicamente 5 etapas para implantar a gamificação nas empresas. Muitas das experiências bem sucedidas nas empresas passaram por estas fases de uma forma ou de outra.

Como sempre digo não é uma receita de bolo, mas ter isso em mente vai aumentar bastante as chances de acertar na gamificação por aí.

1. Objetivo

Por que você acha que a gamificação é uma solução para o seu problema na empresa? A gamificação ajuda na motivação das pessoas para aumentar o engajamento. O problema é que nem toda falta de engajamento está relacionada com a falta de motivação como você imagina.

Uma pessoa que está sem motivação porque o salário está atrasado, não vai melhorar o engajamento porque você implantou uma estratégia de gamificação na empresa. A solução primária é aumentar o salário. Depois que esta barreira estiver resolvida tentamos entender qual é o comportamento dela e como vamos motivá-la intrinsecamente para melhorar seu engajamento.

Mas nem precisa ser questões monetárias, pode ser por exemplo porque elas não gostam do chefe, ou das condições de trabalho. Ou estão procurando outro emprego.

O importante tentar ser o mais realista possível em relação à falta de engajamento que você identificou. Não tente a gamificação só porque está todo mundo falando disso porque ela pode não ser a melhor solução para o seu problema.

2. Público

A gamificação se trata de motivar pessoas. Então, antes de pensar em como você vai abordar ou quais elementos vai utilizar na empresa, você precisa ter certeza de com quem está falando.

Converse muito com as pessoas que irão fazer parte da experiência, especialmente os líderes, para que todos entendam o benefício da gamificação e não encarem isso de forma equivocada.

Busque as motivações pessoais de cada um nas conversas, entenda sobre seus hobbies, sobre seus sonhos. Procure os padrões e veja onde eles se alinham com o propósito da empresa porque é nessa intersecção que estão as maiores chances de sucesso.

Em um dos clientes que atendi conseguimos identificar que o público tinha objetivos pessoais bastante comuns: terminar a faculdade e comprar seu primeiro automóvel. A empresa, que já tinha como missão e propósito a realização de sonhos, pode então alinhar esta expectativa dos funcionários e ajudá-los nestes objetivos bancando parte destes sonhos dos colaboradores. O engajamento é inevitável quando isso acontece.

Uma dica: mais do que pontos em comum, procure também as rejeições do público com pesquisas e conversas. Entender o que as pessoas não gostam vai fazer você evitar algumas pedras e então focar no que pode efetivamente dar certo.

Anote tudo sempre e tente descobrir esta persona. Assim que souber como o seu público está dividido entre os perfis de jogadores, é a hora de avançar com a ideia.

3. Métricas

Sem saber para onde você quer ir com a gamificação, qualquer caminho vai servir. Então é importante investir algum tempo nisso.

Saiba exatamente qual é a métrica que você vai atacar com a estratégia e se comprometa a acompanhar os resultados depois durante algum tempo. Ajuste o que precisar durante a experiência mas não perca esta métrica de vista enquanto ela não melhorar!

Um de nossos clientes na época da Opusphere foi um grande grupo de call center que desde o início deixou claro que estavam atacando o turn over da equipe. Com isso em mente pudemos então desenhar algumas atividades que contribuíam com o esforço de cada um dos líderes em manter o colaboradores e muitas vezes reverter um quadro de desligamento. O resultado foi que depois de 6 meses, o grupo que estava dentro do projeto piloto de gamificação teve 51% a menos de turn over do que outros grupos.

Outro ponto importante: tente definir uma métrica bastante objetiva e mensurável. “Aumentar o faturamento”  é bem diferente de “aumentar em 10% o número de leads gerados nos próximos 3 meses”.

As duas abordagens olham para a melhora na receita, mas na segunda temos claramente uma meta e o tempo para chegarmos nela.

4. Estratégia

Somente depois que você conhecer bem as pessoas que vão fazer parte da estratégia; e assim que uma métrica minimamente mensurável for definida é que partimos para analisar como irá se viabilizar a gamificação na sua empresa.

A abordagem estratégica vai depender mais da própria empresa do que exatamente dos jogadores. Empresas de tecnologia normalmente partem para um aplicativo, mas desenvolver algo tecnológico não é a única alternativa.

Existem boas soluções que podem se utilizar apenas de um quadro branco com imãs ou canetas. Talvez dados e um tabuleiro, cartas… abuse da criatividade!

Em um treinamento interno com outro cliente, partimos para desenhar uma experiência totalmente sensorial. A intenção era gerar memórias visuais, sons e vivências que aumentassem a retenção do conteúdo de um treinamento bastante extenso, com cerca de 4 horas. Criamos então enigmas com baús e cadeados, bolas no alvo e quebra cabeças em equipes, fantasias, tudo para aliviar o peso do conteúdo e criar experiências significativas para os colaboradores.

Às vezes não é possível, mas um ponto importante é definir um período piloto para o projeto, com um público reduzido. Dessa forma, você consegue ajustar e testar muita coisa antes de entrar com a estratégia de gamificação para toda a população.

Nesta etapa, se você sentir a necessidade, pode-se inclusive desenvolver um enredo para que cause um pouco mais de imersão nos participantes. Cuidado apenas para que esta narrativa faça sentido para o seu público e não seja motivo de distração ou uma tentativa de disfarçar um aumento de carga de trabalho nas pessoas porque pode surtir um efeito bastante negativo.

Com ou sem níveis de imersão, o importante é não deixar que a comunicação fique apenas a cargo da gamificação e das pessoas envolvidas nela. Então acione outras áreas da empresa sempre que puder: comunicação interna, intranet, vendas. Faça com que todos saibam que algo está acontecendo e aproveite assim a expectativa gerada.

5. Design

Agora é a mão na massa. Pegue tudo o que planejou como estratégia para alcançar a métrica escolhida, analise bem o que encontrou do seu público e, então com base nisso, comece agora a pegar e testar alguns elementos de jogos.

Pense em atividades que levem à melhorar a métrica e divida em tarefas menores. Analise o que pode virar atividade, o que pode ser considerado especial e o que pode ser utilizado como desafios maiores.

O que costumo fazer normalmente é, em primeiro lugar, definir uma expectativa para que um colaborador chegue no nível máximo, ou conquiste todos os badges, ou realize todos os desafios. Partindo disso, e com a teoria do flow de fundo, tento então fazer com que os primeiros avanços sejam rápidos e os desafios maiores fiquem mais pra frente na linha do tempo, quando os colaboradores já estiverem acostumados com as dinâmicas da estratégia.

Mas não existe uma regra.

Se você sentir que o seu público está extremamente familiarizado com dinâmicas de jogos, aumente o passo sem medo. Porque o risco aqui é a turma ficar entediada antes mesmo de avançar na experiência. Viu como é extremamente importante conhecer com quem você está lidando? 🙂

Agora meça, ajuste e observe

Com o projeto piloto rodando, o trabalho então é acompanhar tudo muito de perto. Por mais planejamento que exista antes da implantação, sempre vai existir algo para ser ajustado. E é no início do projeto que vamos ter o menor impacto na estratégia quando fizermos estes ajustes.

Meça tudo o que puder e que tenha relação com a métrica que está atacando. As pessoas na empresa estão agindo como você esperava? Existe algum colaborador muito acima do padrão esperado? Ou muito abaixo?

Logo na primeira semana de lançamento de um projeto em um cliente, um dos colaboradores percebeu uma forma de ganhar mais pontos. Sempre que um participante enviasse uma foto ele pontuava um pouquinho. Este colaborador então começou a mandar fotos em burst mode (série de fotos tiradas em sequência) e pontuou muito mais do que o normal. É o tipo de coisa que não se prevê antes de acontecer.

Aproveito para uma consideração: evite ao máximo punir os jogadores quando eles estão jogando dentro das regras. O ideal é ajustar o que precisar e aguardar para que o seu planejamento equilibre as coisas no longo prazo. Por isso a importância de se tentar planejar o tempo para se chegar ao nível máximo de sua estratégia.

Nestes ajustes que fizer, garanta também que nada fique mal entendido. Insira sem receio novos elementos que julgar necessário e retire outros que perceber uma baixa adesão. Quanto mais simples melhor.

Por fim, observe. Sem ansiedade. Dê tempo para que as pessoas se acostumem e interajam com a sua proposta antes de achar que ela deu muito certo – ou muito errado.

Começar com a gamificação nas empresas dá um pouco de trabalho, mas não deveria ser encarado como algo complexo.

Teste por aí e me conta se deu certo depois?

🤘🏼🎮

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