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Published 12 de dezembro de 2019

Foto ©Phillip Toledano

Quem já leu sobre game design já deve ter esbarrado em um gráfico que mostra como manter o seu jogador motivado pela teoria do flow.

São dois eixos: o horizontal representando o nível de habilidade de seu jogador, e o vertical mostrando a dificuldade do desafio proposto. É mais ou menos isso:

Teoria do flow: Gráfico com dois eixos e uma diagonal subindo constante

O que a teoria do flow diz é que se você balancear direitinho isso ao longo do tempo você mantém o jogador sempre interessado no seu game, evitando o tédio (habilidade muito desenvolvida para pouco desafio) e a ansiedade (desafio muito maior que as habilidades) que acontece quando ele sai dessa área de flow.

Mas de onde veio essa teoria?

Mihaly Csikszentmihalyi – vou te ajudar a não cuspir quando falar: “Mirráli Tchizemirráli” – é um psicólogo húngaro que estudou durante 40 anos quais são os motivos que levam as pessoas à um estado de felicidade plena, de êxtase. À um nível de concentração tal que todo o resto desaparece. Onde a própria consciência de estar vivo some e o tempo é distorcido. Ele chamou este estado da mente de estado de flow.

Todo mundo já passou por isso. Normalmente acontece com esportistas e artistas, eles ficam tão concentrados em sua atividade que se esquecem de comer, exercem suas tarefas por horas a fio sem se cansar e perceber o próprio tempo em que estão nestas tarefas. Mas este estado aparece também quando a gente está lendo um livro interessante, quando estamos conversando com amigos…

Em suas pesquisas, Mihaly pediu às pessoas para descrever este estado de êxtase. Um compositor respondeu:

Você está em um estado de êxtase tão grande que se sente quase como se não existisse. Eu tive esta experiência algumas vezes. Minha mão parece independente, e eu não tenho nada a ver com o que está acontecendo. Eu simplesmente estou lá sentado e assistindo, em um estado de admiração.

Este estado é alcançado sem esforço consciente, é um processo não planejado e espontâneo da mente onde não existe mais a preocupação em falhar. Na verdade não existe nenhuma preocupação, toda a atenção está focada no momento presente.

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Isso acontece porque nosso sistema nervoso tem um limite de processamento de dados por segundo. A capacidade de entender como o corpo está se sentindo – fome, cansaço – ou outras preocupações – contas, futuro – é nula quando a mente atinge este estado de flow. A nossa própria existência é suspensa.

Como alcançar este estado da mente?

Em resumo, pela teoria do flow precisamos de 3 condições para entrarmos neste estado:

  1. As atividades em que estamos envolvidos precisam ter objetivos claros e nos fornecer um meio explícito de informar o nosso progresso nelas.
  2. feedback necessariamente precisa ser imediato, tanto positivo quanto negativo. Lembre-se que neste estado o foco está no presente.
  3. O mais importante: as habilidades necessárias para realizar a atividade e a dificuldade do desafio proposto precisa estar em um perfeito equilíbrio.

O gráfico completo sobre o flow que Mihaly desenvolveu em sua pesquisa é assim:

Teoria do flow: Gráfico com dois eixos ortogonais e 8 áreas delimitadas

Dependendo dos seus níveis de habilidade e da dificuldade dos desafios, você pode estar em um estado mental diferente. A apatia é o pior estado, onde não temos nenhum desafio a cumprir e nenhuma habilidade à prova. O oposto é exatamente o estado de flow, onde colocamos toda as nossas habilidades à serviço de um desafio que nos consideramos capazes de realizar.

Na maior parte do tempo estamos no ponto do meio. Então, ao buscar o estado de flow em uma tarefa, é importante você perceber como está se sentindo. Se perceber que está em um estado de controle, procure aumentar seu desafio. Se sentir que o desafio lhe causa alguma ansiedade ou excitação, foque em aumentar suas habilidades em relação à tarefa.

Vamos continuar esta conversa sobre a teoria do flow? O que você estava fazendo na última vez que entrou neste estado? Foi em algum game? 😉

Comentários

One Comment

  1. […] Seus alunos precisam saber em que ponto estão e quanto falta para conseguirem chegar ao final do capítulo, do módulo, do curso. Pode ser com as barrinhas de progresso tradicionais se enchendo, ou ainda pode ser com uma porcentagem no cantinho da tela. Mas mostre de forma clara. Este feedback claro de nossa evolução nas tarefas que estamos fazendo é uma das premissas para se entrar em Estado de Flow. […]

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