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Published 14 de novembro de 2019

Este é um artigo publicado no portal Sua Franquia

Gamificação é muito mais do que transformar tudo em jogo. De forma geral, o conceito é utilizar elementos de jogos para engajar e motivar as pessoas nas mudanças de comportamentos e desenvolvimentos de habilidades. Para isso, antes de qualquer coisa, segundo Marcel Leal, consultor e especialista em gamificação, é necessário conhecer muito bem o perfil das pessoas que vão participar da iniciativa. “Temos que entender quais são seus objetivos pessoais e ver onde eles se mesclam com as metas da empresa ou do negócio. Com esses dados em mãos, pode-se escolher os elementos corretos para a estratégia, para tudo funcionar bem. Gamificação é primeiro sobre pessoas, depois sobre games”, explica Marcel.

Algumas áreas dentro das franquias são bem propícias para uma abordagem por meio de gamificação. “São muitas pessoas com objetivos e propósitos em comum. Podemos pensar em envolver vendedores, trabalhando seus objetivos pessoais em paralelo com o faturamento, existem oportunidades nos treinamentos de capacitação para os colaboradores e franqueados, também no onboarding de novas franquias podemos engajar mais e melhor as pessoas. Não precisa começar com nada muito complexo, ao contrário, talvez seja mais interessante pensar em ações mais pontuais, utilizando tecnologias e materiais simples para ir entendendo o público e construindo uma estratégia junto com ele”, complementa Marcel.

Rede de franquia com gamificação

A rede de franquia Fruit Truck, com 18 unidades em funcionamento, atua na venda de açaí trufado, creme de cupuaçu, fondue e salada de frutas. Para fortalecer a relação com franqueados e elevar o padrão de qualidade das operações, a marca lançou, recentemente, um programa de gamificação, que conta com diversas ações e orientações para os franqueados.

A cada item cumprido, o empreendedor ganha 100 pontos. Quando ele conseguir acumular 1000 pontos, poderá trocar gratuitamente por uma caixa de açaí (10 quilos cada) ou duas caixas de creme de cupuaçu (5 quilos cada), que ele precisaria comprar caso não houvesse o projeto de gamificação. Já os itens que valem pontos são: participação mensal no Programa de Formação do Empreendedor (workshop sobre mudanças e empreendedorismo), vistoria na unidade com 85% de aproveitamento, pedidos de insumos dentro do prazo, lançamento de faturamento dentro do prazo, ações operacionais realizadas dentro do planejamento e aumento mensal de 5% no faturamento.

Kleber Vaz, 34 anos, franqueado da Fruit Truck desde agosto de 2018 com unidade implantada em Universidade de Guarulhos, possui um faturamento que gira em torno de R$12 mil. Para ele, a ideia do projeto de gamificação é muito interessante. “Defendo muito a ideia. Além de ajudar na melhoria dos processos da Fruit Truck, serve de incentivo para que todos os franqueados trabalhem de forma correta e contribuam para o crescimento de todos os outros. Os treinamentos têm me ajudado muito na parte do planejamento financeiro. Ainda estou com uma pontuação baixa, pois o projeto ainda está no início, mas a ideia me faz querer evoluir cada dia um pouco mais”, comenta Kleber.

Gamificação mundo afora

Marcel Leal conta que existem muitos cases de sucesso em gamificação fora do Brasil. Nos EUA, por exemplo, a rede de lanchonetes Applebees utilizou a gamificação para reduzir seu turnover. Chamada de Beeblock, a ideia foi envolver todos os funcionários em uma “gincana” onde eles respondiam quizzes e realizavam algumas missões. Um garçom poderia ter que vender um produto específico do cardápio ou alguém da cozinha deveria conferir a higiene das mãos do pessoal. Por estas realizações os participantes acumulavam pontos que poderiam ser trocados por prêmios reais que incluíam desde lanches até videogames. A rede diminuiu em 20% seu turnover com a iniciativa.

“Um projeto que estamos entregando agora é o da Varejo Mais, uma revendedora Samsung com mais de 20 lojas pelo país. Nosso objetivo foi envolver os vendedores com a cultura da empresa de realizar sonhos. Por um aplicativo, além da estratégia de gamificação, eles podem acompanhar suas vendas e comissões em tempo real. Ainda podem planejar seus sonhos pessoais como uma moto, ou um curso. A empresa vai bancar parte destes sonhos e quanto maior o nível do vendedor, maior a parte da empresa nisto. Ainda não temos os resultados, mas a receptividade pelos funcionários foi incrível. Esta é a importância de se entender bem o público e saber quais são suas aspirações para alinhá-las com as da empresa”, comenta o consultor, expert no tema.

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Resistência

Segundo Marcel, não é raro alguns executivos torçam o nariz para a gamificação. O preconceito com games vem antes de que seja explicado qualquer coisa sobre o assunto. Porém, são os mesmos executivos que tem em seus escritórios troféus de tênis expostos para quem quiser ver.

“É disso que se trata a gamificação, deste orgulho da conquista, deste propósito de ser cada vez melhor no que fazemos. Dificilmente teremos problemas no engajamento dos colaboradores com a gamificação, mas é essencial que a gestão esteja comprometida com a estratégia, para isso ela não pode ter dúvida nenhuma sobre o assunto. Então o melhor caminho é explorar muito os cases com os gestores, conversar com outras empresas que já experimentaram a gamificação e entender quais os obstáculos que podem surgir no caminho”, ressalta o especialista. 

Aplicação

Há 3 pontos em que a gamificação basicamente atua: é na mudança de comportamento, no desenvolvimento de habilidades e no estímulo à inovação. Este último é pouco explorado no geral e, em redes de franquias, pode dar muito resultado.

Estimular e envolver as pessoas a sugerir e testar novas ideias, novos processos e novos modelos. Nos Estados Unidos, a DirecTV desenvolveu uma plataforma onde os colaboradores eram incentivados a enviar vídeos compartilhando seus erros e comentar como eles poderiam ter feito aquilo diferente. Os mais engajados eram recompensados e foi um sucesso. É uma forma de multiplicar boas práticas dentro da corporação de uma forma bem simples e com significado: o erro faz parte de qualquer aprendizado.

Fidelização de clientes

A gamificação também pode atuar na fidelização de clientes, embora esteja bem mais ligada à parte extrínseca, pensando em programas de recompensa tradicionais. Porém, é possível buscar provocar algum envolvimento emocional que motive os clientes a buscarem seus objetivos pessoais.

“A Air Canada por exemplo, tem um programa tradicional de milhagem mas envolve seus clientes com badges raras e divertidas. Um cliente que consiga trechos que deem a volta ao mundo destrava o selo “Jerry Mock”, nome da primeira mulher que fez um vôo solo ao redor do mundo em 1964. Além das milhas e descontos, a gamificação pode entregar prêmios intangíveis, como uma nova informação.

No fundo, é só um nome novo para algo que já sabemos que funciona há muito tempo”, conclui Marcel.

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